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segunda-feira, 28 de março de 2011

Montanhas


Nas montanhas encontro a simplicidade que o Homem nunca terá,
O amor incondicional tanto apregoado mas que ninguém conhece,
Que dá e recebe e nunca mentirá…
Uma cabana que proporciona todo o conforto que jamais a luxúria dará.
Serra! Tão simples e tão bela!
Completa sem que nada lhe falte.
Harmonia maior não há!
Tudo se conjuga na maior perfeição
Para que nada lhe falte.
Natureza! Harmonia! Que mais pode alguém desejar
Que Aqui não consegue alcançar?
Nada!
A ganância corrói, o desprezo sufoca, a deslealdade incomoda.
Mas nada disso Aqui existe.
Simplicidade ao rubro, tanta humildade
Que nunca o ser humano conhecerá.
Farsas, malabarismos. Aqui? Não…
Isso encontro na ‘civilização’, pérfida e corrompida,
Feita pelos homens sem asas para voar…
Paz de espírito, beleza rara, pura e simples, onde encontrar?
Longe de olhos cheios de maldade,
E de rótulos que nos colocam difíceis de arrancar…
Paz! Serenidade! Amor incondicional! Harmonia! Despidos do mal!
Onde encontrar?
Longe de tudo e de todos…
Próximo do que de mais belo há…
Porque por muito que o Homem se esforce,
Jamais aos pés lhe chegará!
Serra! De fingimentos não precisa, nem de mostrar o que não tem
Pois ninguém olhará com ar de desdém!
E de mais não precisa, quem tudo isto na montanha sente, tem, e não tem...
Alice Mota

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Paz nas montanhas, meu alívio certo

Paz nas montanhas, meu alívio certo.
O girassol do mundo, aberto,
E o coração, a vê-lo, sossegado.
Fresco e purificado,
O ar que respira.
Os acordes da lira
Audíveis no silêncio do cenário.
A bem-aventurança sem mentira:
Asas nos pés e o céu desnecessário.
Miguel Torga, Diario VII


segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Raízes - Roots


A curta-metragem Raízes, obra de ficção inspirada no Neolítico e no Planalto de Castro Laboreiro, foi distinguida com o prémio CINEMA MINHOTO no FILMINHO 2010, Festival de cinema galego e português.
A curta-metragem promovida pela ADERE -Peneda-Gerês em parceria com o Instituto da Conservação da Natureza e Biodiversidade/ Parque Nacional da Peneda-Gerês e com a Câmara Municipal de Melgaço, no âmbito do projecto Gestão e Dinamização da Visitação no PNPG, co-financiado pelo Programa Operacional Regional do Norte (ON2), está disponível para visualização, para grupos com marcação prévia, na Porta do Parque Nacional da Peneda-Gerês em Lamas de Mouro (251465010; portadelamas@cm-melgaco.pt) e na Porta do Parque Nacional da Peneda-Gerês do Mezio (258510100; geral@ardal.pt).
Está também disponível para empréstimo a entidades como Escolas, Museus, Câmaras Municipais, e outras, através de contacto com a ADERE – Peneda Gerês (258452450, geral@adere-pg.com) ou com a Porta do Parque Nacional da Peneda-Gerês em Lamas de Mouro.

domingo, 21 de março de 2010

Requiem



Viam a luz nas palhas de um curral,
Criavam-se na serra a guardar gado.
À rabiça do arado,
A perseguir sombra nas lavradas,
Aprendiam a ler
O alfabeto do suor honrado.
Até que se cansavam
De tudo o que sabiam,
E, gratos, recebiam
Sete palmos de paz num cemitério
E visitas e flores no dia de finados.
Mas, de repente, um muro de cimento
Interrompeu o canto
De um rio que corria
Nos ouvidos de todos.
E um Letes de silêncio represado
Cobre de esquecimento
Esse mundo sagrado
Onde a vida era um rito demorado
E a morte um segundo nascimento.

Miguel Torga, Barragem de Vilarinho da Furna, 18 de Julho de 1976, Diário XII.


terça-feira, 9 de março de 2010

Lar


Na copa da floresta o tempo tece...
Tece um ralo de sonhos a quem olha...
Frémitos largos, cor do sol que desce
Boémio e loiro sobre cada folha.
Musgo no pé do que subiu mais alto.
A lenta e certa maldição dos limos...
Quem se liberta na ilusão de um salto,
Pega na terra a solidão dos cimos.

Porque a frescura do telhado verde
Tem um calmo destino:
Cobrir quem é de casa e não se perde
Nas malhas do seu sono menino.
Miguel Torga, Gerês, 26 de Julho de 1945, Diário III.

segunda-feira, 8 de março de 2010

Renúncia e amargura

Não queira coisas impossíveis - dizia-me hoje uma mulherzinha que andava na serra à lenha, quando eu tentava subir uma penedia inacessível.
- Quero, quero! - respondi-lhe, obstinado.
Ela então olhou-me com uns doces olhos de ovelha tosquiada pela vida, e sorriu melancolicamente. Depois, pôs o molho à cabeça, e partiu.
E eu fiquei-me o resto da tarde ali, a ver cair o sol e a pensar em que sonho irrealizável teria aquela alma simples posto um dia o desejo, para com a sua desilusão formular uma frase tão carregada de renúncia e amargura.
Miguel Torga, Gerês, 23 de Agosto de 1942, Diário II.